Os militares portugueses que o são devem andar cheios de vergonha dos outros que tal se dizem e só rebaixam a classe. Marcelo devia ter deixado acontecer a manif das espadas, recolhê-las e mandar exonerar todos os que ali aparecessem. Os militares indignados com o poder político deviam vir mostrar todos, mas todos, os relatórios onde escreveram que havia um buraco na rede e que a video vigilância estava avariada.

Contas por alto, se algum sargento cumpriu a sua função, haverá pelo menos 1400 relatórios onde está isto escrito: dois por dia, assinados por militares responsáveis, que não se compadecem com a falta de meios e a forma como as Forças Armadas são tratadas.

Mas, ao que parece, parte dos nossos militares são, afinal, e passe o estereótipo que aqui vai só para moer, da Companhia de Bailado das Guerras. Sentem-se “ofendidos” quando alguém lhes diz que a responsabilidade de guardar o que é deles, é deles.

Cabe na cabeça de alguém que o ministro da Saúde tenha de saber se há gaze no Hospital de Portalegre? Ou que o ministro da Cultura saiba que há erros de português no programa do S. Carlos? Só sabem se alguém lhes disser. São ministros, não são inspectores gerais. Cabe-lhes a política, não o economato nem a logística.

Ao que querem fazer crer gamaram armas de um paiol que só com camião se transportavam. A Procuradoria, alarmista e tablóide, aponta pistas para todos os gostos: tráfico, terrorismo, tensões territoriais, tudo o que comece por Tê. Acusa-se em público os tipos de Engenharia que têm a caserna em frente ao paiol, porque foram para a Líbia umas vezes e podem lá ter feito “contactos”. Então a dignidade dos nossos militares é assim tão baixa que, mal põem os pés no estrangeiro, desatam a vender gás pimenta e pistolins?

De cabeça perdida, o Presidente da República foi a Tancos mandar calar toda a gente, mas tenho que soube de coisas que preferia não saber. Especulo, sem prova, que não houve gamanço nenhum com camiões e homens a caminhar quilómetros, 500 metros de cada vez, com C4 nos braços. Se fossem ladrões, não eram loucos. Se fossem loucos, não tinham gamado nada, porque é tudo mais barato no Quirguistão ou no sul dessas Líbias perdidas.

Sorumbático, lá penso que nunca houve roubo. Ou foi havendo, durante meses, ou aquilo eram armas no papel que ajudaram a sobre-dimensionar um orçamento qualquer.

A tristeza enorme ao ver alguns dos nossos militares e alguns dos nossos políticos a fazer disto uma patranha securitária até dá arrepios. Ao menos, sabemos que podemos confiar no jornal online do Pedro Jota para nos contar tudo o que a PGR e a PJ militar portuguesa quer. Não podem ser sempre os mesmos a dar notícias.

Agora, ide para dentro e contai a verdade.

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2 thoughts on “Tancos: ninguém se salva

  1. Ôi, João!
    De Tancos, o que conheci melhorzinho, foi a Escola Prática de Engenharia, nos tempos em que, psicólogo do CEFE (Centro de Estudos Psicotécnicos do Exército), lá me desloquei (duas vezes, salvo erro) para fazer exames da minha ‘expertise’ a soldados, cabos, milicianos etc. Ficou-me desse tempo, sempre que as conversas me levam de novo às casernas, o relato da perplexidade que as instalações dos engenheiros quase absurdamente me provocaram, do tipo “em casa de ferreiro, espeto de pau”.
    É que, na verdade, nunca eu tinha visto (até fora de instalações militares) tanto buraco em paredes, tantas tomadas arrancadas, tantos interruptores estragados, tanta coisa que deveria funcionar mas não funcionava.
    Não sei se estarei a misturar alhos com bugalhos, mas as falhas agora sucessivamente relatadas arrepiantemente se associam, na minha cabeça, ao que tantas vezes contei por graça em conversas de amigos. E arrepiantemente porquê? Porque são essencialmente as mesmas falhas, só que num outro “campeonato” – mas a lassidão negligente, o vicioso deixa andar parecem-me os mesmos! E passaram quase 40 anos…
    Abraço!

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