Um gajo é um gajo, uma gaja é uma gaja, uma mata suja tem palha, um cigano é um cigano, um porco com um buraquinho em cima é um mealheiro.

Um alentejano é um alentejano, um candidato do PSD a Loures é uma besta mas um cigano é um cigano e não há cigano que não tenha orgulho em sê-lo. O Gentil Martins é um médico e não é por isso que não pode ser uma besta, ninguém lhe pediu comentários sobre os costumes ou que legislasse sobre os valores. Separava pessoas que não queriam estar juntas e mudava peças de forma brilhante.

O Ronaldo é uma estrela e o que as estrelas fazem serve de modelo a muita gente que não pensa pela própria cabeça. A Georgina está grávida e isso é bom para ela. As marchas de orgulho gay são tão estúpidas como as marchas de Lisboa, mas nem os gays nem os lisboetas são obrigados, por lei, a gostar de ambas e a identificarem-se com tal.

Um gajo pode querer ser gaja e uma gaja pode querer ser gajo. Eu defendo há muito que o casamento não devia ser regulado pelo Estado, que nada tem com os sentimentos das pessoas. O Estado também não deve ignorar a base biológica dos cromossomas embutidos. Homem que é homem tem o Y e contra isso, batatas, talvez um dia possa mudar a estrutura toda, deixe a genética.

O preconceito e as visões de costume serôdias precisam sempre de combates desequilibrados. Os movimentos sindicais e sufragistas, os republicanos e os anti-esclavagistas tiveram de, por décadas, gritar mais alto do que era preciso, para que vencessem os seus bons valores. Recorrer à bomba e ao tiro foi preciso. A sociedade move-se, assim mesmo, por causa dos botas de elástico. É a consequência de quem tem medo que as coisas mudem.

O candidato Ventura é um populista demagogo, à caça do voto fácil, que diz coisas aparentemente populares. O médico Martins não gosta de pessoas do mesmo sexo que gostam umas das outras. Estão no seu direito e podem dizer o que querem. O problema é haver ainda tanto tonto a dar-lhes de comer.

Repito: um gajo é um gajo, um cigano é um cigano, um cachimbo porém nem sempre é um cachimbo, e é a arte de não se ser cachimbo sendo-se cachimbo que nos transporta ao polegar oponível e à pequena glória que fez o cérebro sapien sapiens.

Eu quero que o politicamente correcto morra, que me maça depois ouvir o outro lado dizer que Ricardo Quaresma é um exemplo de um cigano de sucesso. Ou que os gays “também amam”. Arre gaita para a sociedade que ainda tem de dizer o óbvio.

Um mês depois de arder Pedrógão as matas continuam cheia de palha e pasto seco e a arder com alegria. Uma incúria é uma incúria. Cinco militares demitidos regressam do degredo. Uma palermice é uma palermice. A Vodafone e a Nos já usam a frase de Costa no telemarketing.

Está calor.

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