Nem Pilatos Rebelo de Sousa nem Trapalhada Costa. Assim, não.

Nem Pilatos Rebelo de Sousa nem Trapalhada Costa. Assim, não.

Assim não.  Nem a mata da chamusca nem a faca nas costas espetada por Constança Urbano de Sousa nem, sequer, o miserável discurso de Marcelo Pilatos de Sousa, a meter-se na vida dos partidos e do Governo. Nenhum sai bem, todos mostram a falta de sentido de Estado, de oportunidade, de civismo político e de humanismo.

Vamos por partes, que não é simples.

A crer que Constança Urbano de Sousa pediu demissão e que Costa não aceitou, o primeiro-ministro, sem querer, tem de explicar porque aceita agora a demissão desta forma, 12 horas depois de um puxão de orelhas inaceitável do Chefe de Estado. Costa soçobra, com ele a ministra e o secretário de Estado, a um dos mais manhosos e diletantes golpes que um Presidente já fez.

O que Costa tem de fazer, imediatamente, é convencer o Bloco e o PCP a absterem-se na Moção Cristas e cair, enquanto é tempo – para ir às urnas limpar o ar. Mas ao aceitar o tau-tau infantil de Marcelo, fica provado uma coisa: Costa é esperto e manhoso, mas Marcelo é esperto, manhoso e inteligente – por isso vencedor popular da contenda, ad eternum. Só com pensamento político sólido e estratégia clara é que o PS pode safar-se desta fase com a dignidade que tinha em Maio deste ano.

O PS deve forçar eleições. O momento é o ideal: o Orçamento pendurado prejudica os trabalhadores todos, Marcelo fica responsável pela queda e PCP e Bloco estarão em campanha sem ter tido tempo de se afastar do Governo que apoiaram.

Mas, temo, não há no PS esta densidade política.

Depois, Marcelo.

O discurso populista e demagogo do Chefe de Estado é indigno. O que faz Marcelo indignar-se aos 100 mortos que não o fez indignar-se aos 63? Ou aos 30? Ou aos 10? Há um número na cabeça de Marcelo a partir do qual é inadmissível o que quer que seja?

Na sua inteligência e genialidade literária, Marcelo condicionou o Governo, mas preferiu ir a Oliveira do Hospital do que usar as armas presidenciais. Foi ao velório da vítima apelar à turba que linchassem o homicida. Errado, quer do ponto de vista ético, quer do ponto de vista da correcção política.

Marcelo podia e devia ter enviado mensagem à Assembleia da República, podia e devia ter estado no Conselho de Ministros de Sábado, podia e devia ter reunido o Conselho de Estado – que ele banalizou como sala de visitas de dignitários estrangeiros e não como órgão de consulta do Presidente.

Isto é: Marcelo puxou à lágrima mas depois espetou a faca no cadáver. O professor de direito e constitucionalista eminente virou as costas à lei fundamental e fez o que quis do cargo que a população lhe deu, dado o seu estrelato televisivo. E fê-lo bem, do ponto de vista cénico.

Uma indignidade política, porém.

Por fim, as armas de Tancos. É tão inverosímil a historieta de que a GNR de Loulé (!) e a PJ Militar tenha encontrado 44 G3 na mata da Chamusca, logo esta quarta-feira, que o Governo tem de pintar-se com tintas de camuflados para fugir à galhofa geral.

A necessidade de se proteger de Marcelo, evitando segundo ataque do PR ao melhor estilo Teresa Guilherme, sobre Tancos, terá aconselhado os spin doctors do Governo a lançar a notícia meia hora depois da demissão de Constança Urbano de Sousa.

Uma trapalhada tão estúpida, quer política quer de comunicação, que volta a cair em cima de Costa o gume da falta de estratégia inteligente.

A esta hora nenhum português acredita que havia armas na mata da Chamusca. Nenhum português valida positivamente a demissão da ministra que, de saída, dispara contra Costa. E poucos portugueses perceberam que Marcelo se meteu onde não era chamado, pisando até os riscos vermelhos da CRP, muito mais suave mas grave que a inutilidade Silva, o anterior ocupante do palácio.

O trabalho deste governo e desta maioria parlamentar é bom. É sólido. É conseguido.

Será pena, por ingenuidade política, teimosia pessoal e falta de densidade estratégica que vá tudo para o lixo, na mata da Chamusca.

 

(imagem: Lusa)

 

 

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Para restaurar a sanidade

Para restaurar a sanidade

Um gajo não se lembra de uma, uma coisa que o Rui Rio tenha feito, a não ser uma história de um jaguar – que já não se sabe se o matou ou o comprou ou o vendeu.

O desejo de Santana é fazer tudo outra vez, mas agora bem, uma vez que foi quase tudo o que queria ser mas, como os maus namorados, perdeu a chance.

O Sócrates não tem a noção de auto-piedade e do ridículo e aqueles juízes e magistrados parecem saídos de um romance do Dennis McShade – são os gajos que vêm no Opel Record Olympia a perseguir o meliante mas que o perdem sempre que há uma esquina.

D. Cavaco I, O Inútil, nunca topou nada do BPN nem do BES, um santo de Boliquei-me, o homem que errou como outrora o Sepúlveda, uma perda de tempo que quilhou esta coisa pantanosa ainda mais.

O Orçamento de Estado é negociado como se enganavam os putos nas mercearias: o troco é em rebuçados de mentol e caricas da bola, que saltaram para o chão quando se atendeu o resto da clientela.

Os patafúrdios catalães sabem lá o que querem – não há revolucionários em Barcelona, só peseteros, como um dia chamaram ao homem que adoraram e odiaram. Filipe VI é uma Letízia a mais, viva a música espanhola e as letras e a pintura e a não nos irritem agora.

A Naomi Klein tem um livro novo.

Não há direita, dizem os gajos de direita. Até eles têm vergonha e isso é mau – também começa a não haver esquerda e daqui nada não há tempo, quanto mais dimensões.

O governo dos EUA é um perigo para o mundo. O de Pequim também. O de Paris é uma anedota. O de Londres é irrelevante. O de Ancara está à solta. O de Tel Avive tem um amigo novo. Deve estar-se bem na Horta, nas Flores, no Corvo, em Plasencia.

Não chove e estão 30 graus e é Outubro e nada, mas nada do que está aqui é normal ou bom.

Stop. Façamos stop e recuperemos a sanidade.

A Kim Kardashian padece de dismorfia. Não sei o que é.

 

 

 

Opereta política mal amanhada

Opereta política mal amanhada

Marcelo mergulha, Arménio exige, Catarina seduz, Joana esparvoa, Costa dissipa, Cristas demarca-se, Passos enquista-se, Jerónimo rediz, Arnaldo enlouquece, Carmelinda numa Chueca esconde-se de cansada, Pinto Coelho insiste-se, os assassinos do costume planeiam os melhores cartazes, a música é de bombo e sanfona.

Ainda hoje uma arruada, que é o nome que se dá a pessoas desunidas e juntas a descer a rua, fazia algazarra e banzé, gritando sob o adejar de um punho semi-morto, depois de passar a foice romba, a seta murcha, o centro relativo, o homem em pontas e bola de cabeça.

No correio todos prometem o mesmo – porque sabem que o mesmo é preciso. Nenhum me afiança criar um porto espacial no meio da freguesia para viajar a Marte. Nenhum se dá ao luxo do humor, da criação de um parque de caça para ideias loucas, de uma revolta sobre os contos fantásticos ou a dissecação de Poe e Natália ao som do morangueiro.

Ambos os sete são certos e sérios. Nenhum se arrisca. Estão impedidos pela regra de serem carteiros de Neruda ou exploradores de Alfa Centauro. Nenhum se distingue pela jardinagem nas luas de Saturno, piratas honrados. Nenhum promete “Eu Enganarei”. Nenhum ouviu Sílvio e se tramita no unicórnio azul.

À falta de melhor, “há hortas, avenidas e ruas tortas“. Todos me prometem recolher o lixo à hora certa e mais centros de centros de centros, para idosos e jovens, para precários e seguros, monetários dependentes e dependentes monetários. São baços na variedade, porque nenhum diz o que quer.

Na minha campanha prometia só utopias. Todos se apaixonariam durante o mandato. Todos teriam casos extra e pós-conjugais, os traficantes soçobrariam ao Cesariny, os meliantes cantariam Ronda, haveria no segundo ano um projecto de ateísmo e no quarto uma corrida de colher com ovos e lançamento de necromantes.

A obra do regime seria fugir e a grande aposta na mobilidade uma placa a dizer “saída”.

Mas, não. Todos sérios, como os senhores de gravata e as senhoras que estão convencidas que os saltos altos servem para andar na calçada. Nenhum de nós tem a amabilidade de votar nas Testemunhas de Jeová que, definitivamente, têm as melhores imagens de paraíso para as nossas aldeias. Só caprinos eclesiásticos e relvado a perder de vista, em direcção ao grande cartel da felicidade.

A remoção da felicidade e do sonho das propostas destas coisas eleitorais demonstra bem a modorra e a maçada.

Votarei nos médicos de flores, nos rebobinadores das músicas, no rio Almançor de Grade. Chamem-me à razão depois do meio-dia. Antes, permitam-me, nos, que estejamos como Greta ou de pé do Balcão, ao ouvir o marido da cabeleireira e a agarrar os peitos desnudos de Matilde – que nos abraça forte e de quem temos medo que, um dia, nunca mais queira bailar connosco.

Seria menos coiso, como eles dizem.

Mas tão mais sentido.

Tão mais real e necessário, nestes tempos em que foi-se e não foice.

E Marcelo e nada martelo.

E mais manita que punho.

Visão: Venda uma!

Visão: Venda uma!

Quando começaram a pedir capas de férias e gajas, estrelas de tv e futebolistas, a coisa estava mal parada. Nada valia argumentar contra o patrão, que exigia, aliás, uma página tipo Playboy, disfarçada de entrevista, com as modelos e as actrizes de novela, ao alto, todas despidas. A revista era a Focus, eu estava como chefe-de-redacção, as reuniões com a gestão eram um presságio disto tudo – sendo tudo o fim anunciado da Visão.

Não chovo no molhado, por isso recordo apenas, para quem não é do meio, o essencial. As revistas e jornais nunca se pagaram com o que se paga em banca por eles. O negócio da imprensa é vender páginas de publicidade. A publicidade, nos últimos anos, migrou para o online, onde estão todos os consumidores que interessam. As marcas escolhem os públicos-alvo e sai-lhes mais barato e eficaz.

A imprensa não percebeu que não podia ser gratuita, por isso tornou-se um produto à borla na Internet em 2000, mais coisa menos coisa. Há 17 anos que tudo definha: gráficas, redacções, editoras e distribuidores.

O que vai acontecer à Visão – herdeira legítima  de O Jornal – é infelizmente natural. As capas com que se ilustra este texto mostram o desespero de uma direcção e redacção submetidos ao “interesse percebido do público”. Não há notícias, não há jornalismo de investigação, não há entrevistas que mudem o curso do país. Não há porque isso deixou de vender. Não há porque não há dinheiro para defender jornalistas em processos. Quando me vi processado por Pinto Balsemão, José Sócrates, Santana Lopes, Narciso Miranda, entre outros, por ter escrito peças jornalísticas, a editora torceu o nariz à minha defesa e à dos camaradas também envolvidos. Absolvido em todos, percebi claramente que os editores estavam a mudar de opinião sobre o jornalismo.

O encerramento de 13 títulos, à bruta, deita mais gente no desemprego mas, acima de tudo, empobrece o país, que perde textos com qualidade, géneros literários, autores e material formador de cultura e opinião.

Não nos queixemos muito: o país adora o Love on Top (?) e debates de 50 horas sobre jogos de 90 minutos. O país ainda debate temas como a homossexualidade. O país adora notícias de professoras de 25 anos que violam alunos de 16 mas escandaliza-se com professores de 25 que violam meninas de 16. Ou crimes à facada. Ou livros para a menina e para o menino, se forem dois.

Escrevi na Visão, onde aliás conheci e suguei o Afonso Praça, tanto quanto podia. Estava o Cáceres Monteiro em amena cavaqueira com a Maria Elisa e eu na “internet” com o Praça, a dizer-lhe o que era aquilo, ele cheio de curiosidade desconfiada.

Os velhos foram varridos: da Focus, que fechou pouco depois da minha equipa ter sido dizimada; da Visão, porque eram caros. De todo o lado, enfim.

O papel é um negócio muito ingrato. Os gestores do jornalismo falharam redondamente, em todo o mundo, inebriados pela Net, quando decidiram nunca pensar num modelo de negócio para as notícias online.

Agora, estamos nisto. Entregues ao “jornalismo cidadão”, que é uma expressão que me causa arrepios. É como se num restaurante houvesse o “cozinheiro cidadão”, onde cada dia uma pessoa qualquer vai cozinhar, saiba ou não. Ou um “comandante cidadão” em cada avião da TAP e, se deus quiser, lá levantaremos do chão.

É por isso que as vítimas primeiras de tudo isto são os leitores. Depois as redacções. E os responsáveis os jornalistas que alinharam na loucura e os gestores que pensaram, sabe-se lá porquê, que dar em vez de vender era a mesma coisa.

Há tempos houve um congresso de jornalistas. Não fui e disse a quem devia que o modelo do congresso não ia servir para nada. No último dia convidaram os patrões e fizeram louvas.

Deu no que deu. E vai continuar.

 

 

Tancos: ninguém se salva

Tancos: ninguém se salva

Os militares portugueses que o são devem andar cheios de vergonha dos outros que tal se dizem e só rebaixam a classe. Marcelo devia ter deixado acontecer a manif das espadas, recolhê-las e mandar exonerar todos os que ali aparecessem. Os militares indignados com o poder político deviam vir mostrar todos, mas todos, os relatórios onde escreveram que havia um buraco na rede e que a video vigilância estava avariada.

Contas por alto, se algum sargento cumpriu a sua função, haverá pelo menos 1400 relatórios onde está isto escrito: dois por dia, assinados por militares responsáveis, que não se compadecem com a falta de meios e a forma como as Forças Armadas são tratadas.

Mas, ao que parece, parte dos nossos militares são, afinal, e passe o estereótipo que aqui vai só para moer, da Companhia de Bailado das Guerras. Sentem-se “ofendidos” quando alguém lhes diz que a responsabilidade de guardar o que é deles, é deles.

Cabe na cabeça de alguém que o ministro da Saúde tenha de saber se há gaze no Hospital de Portalegre? Ou que o ministro da Cultura saiba que há erros de português no programa do S. Carlos? Só sabem se alguém lhes disser. São ministros, não são inspectores gerais. Cabe-lhes a política, não o economato nem a logística.

Ao que querem fazer crer gamaram armas de um paiol que só com camião se transportavam. A Procuradoria, alarmista e tablóide, aponta pistas para todos os gostos: tráfico, terrorismo, tensões territoriais, tudo o que comece por Tê. Acusa-se em público os tipos de Engenharia que têm a caserna em frente ao paiol, porque foram para a Líbia umas vezes e podem lá ter feito “contactos”. Então a dignidade dos nossos militares é assim tão baixa que, mal põem os pés no estrangeiro, desatam a vender gás pimenta e pistolins?

De cabeça perdida, o Presidente da República foi a Tancos mandar calar toda a gente, mas tenho que soube de coisas que preferia não saber. Especulo, sem prova, que não houve gamanço nenhum com camiões e homens a caminhar quilómetros, 500 metros de cada vez, com C4 nos braços. Se fossem ladrões, não eram loucos. Se fossem loucos, não tinham gamado nada, porque é tudo mais barato no Quirguistão ou no sul dessas Líbias perdidas.

Sorumbático, lá penso que nunca houve roubo. Ou foi havendo, durante meses, ou aquilo eram armas no papel que ajudaram a sobre-dimensionar um orçamento qualquer.

A tristeza enorme ao ver alguns dos nossos militares e alguns dos nossos políticos a fazer disto uma patranha securitária até dá arrepios. Ao menos, sabemos que podemos confiar no jornal online do Pedro Jota para nos contar tudo o que a PGR e a PJ militar portuguesa quer. Não podem ser sempre os mesmos a dar notícias.

Agora, ide para dentro e contai a verdade.

O Peido Salvador

O Peido Salvador

Ah! Hipocrisia, vergonha e moral. Ah, Salvador, grande peido que não deste e devias ter dado. Ah Bocage, Ah Cesariny, Ah Henrique Leiria, Ah Abel Raposo e tua “Sinfonia de Flatos”.

O que não arde cura, Salvador. Bela ameaça. Morra o Dantas, pum!, ao sabor do metano, que o país é mesmo assim como pensas: amam-te porque vais morrer – o peido mestre. Adoram-te porque ao te peidares a massa imensa diz logo “coitadinho, está doente, já lhe chegou aos intestinos”. Mas ao anunciar o peido, ao não-peidar mas ameaçar, vão as vaporosas damas sucumbir e os senhores doutores, que gamam fortunas e exploram mais-valias, ficar assoberbados da moral beata dos salões das bolsas e das alas dos crismas.

Essa plateia que se estende agora moral não tem peida nem bufa. Bufos outrora e ainda, serpeiteiam o metano nas reuniões e fazem ranger as cadeiras no chão para disfarçar quando se largam. À beirinha. Mantendo-se oblíquos com sorriso de santo e maneiras de bode.

Em vez de dizerem “aplaudam peido a vir”, circundam-se a si mesmos nos elevadores para, abre a porta do terceiro andar, se bufarem para as escadas, pensado que não levam calças nem saias.

Salvador, eles não sabem, porque não o fazem, o que é o prazer do pum quando finalmente fazes traque com o namorado  na cama. Eles nunca se riram do peido vaginal, do peido com  a peida para fora da cama, com o peido sacana no carro de janelas fechadas. Sabem lá eles o que é arte. Usam portugal na lapela mas esqueceram-se da Banda do Casaco

Natação obrigatória
na introdução à instrução primária
natação obrigatória
para a salvação é condição necessária
não há cu que não dê traque

D. Sebastião nunca se peidou! Muito menos D. João II. O mostrengo só se peidava sem barcos à vista e quando Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut escreveu “A Arte do Peido” inda Bocage era, e esse setubalense sonetava

“Vae cagar o mestiço e não vae só;
Convida a algum, que esteja no Gará,
E com as longas calças na mão ja
Pede ao cafre canudo e tambió:

Destapa o banco, atira o seu fuscó,
Depois que ao liso cu assento dá,
Diz ao outro: “Ó amigo, como está
A Rittinha? O que é feito da Nhonhó?”

“Vieste do Palmar? Foste a Pangin?
Não me darás noticias da Russu,
Que desde o outro dia inda a não vi?”

Assim prosegue, e farto ja de gu,
O branco, e respeitavel canarim
Deita fora o cachimbo, e lava o cu”.

E tu não foste tão longe, ó Sobral, apenas lhes disseste que tinham o mau gosto das carneiradas, que há um ano fazias com a boca e ninguém te ligava e agora se o fizeres com o traseiro, no Meo Arena, até palmas te batem. Mas eles não perceberam, porque o peido,

o peido, Salvador,

o peido que tu não deste, não deste tu, foram eles,

Pum! Traque!

Viva o Mário-Henrique, que os topou:

A MINHA QUERIDA PÁTRIA

os camões
os aviões
e os gagos-coutinhos
coitadinhos

a pátria
e os mesmos
aldrabões
recém-chegados
à democracia social
era fatal

a pátria
novos camões
na governança
liderando
as mesmas
confusões
continuando
mesmo assim
as velhas tradições
de mau latim
da Eneida

enfim
sabem que mais?
pois
vou da peida

 

Enquanto estavas deitado

Enquanto estavas deitado

Vieram umas espirais e detestaram isto: outra vez a união nacionalizada e todo o povo privatizado. A graça de deus retomou o seu lugar político e a hegemonia sonsa fecha as portas que um mês de Abril.

Há solidariedade vocabular, o que não é mau. Temos pena. isto é: temos mesmo pena, o sentimento. Gostamos disso, dá-nos superioridade moral para albergar o outro sem nunca ser solidário, senão na palavra. Por isso se reage com grande fantasia ao concurso de canções com a pena de ver a tragédia do homem antecipadamente morto a ter uma glória perante todos. Em suma, servimos um mártir e ganhámos – e temos pena.

Não há culpa. Nunca há culpa. Há circunstâncias que nos levaram a isto. Os adágios são paternalistas e insulta-se Jocasta por causa do filho que estaciona em segunda fila – até a própria ignorância é justificada porque nunca se deu tal coisa na escola…

Ninguém se zanga – amuam. É melhor amuar, nesta concórdia semelhante ao barco que ficou de lado. Melhor assim, adernar  e ficar com quilha ao sol.

Não é nosso. Pode ser universal.

Tengo miedo del encuentro 
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida.

Tengo miedo de las noches
que pobladas de recuerdos
encadenen mi soñar”.

De acordo com o que sabemos, enquanto estavas a dormir o canal 200 continuou a transmitir o altar do mundo, para grande indiferença de todos. Informações gerais sobre o trigo ou a preia-mar estavam disponíveis mas senão os ébrios e optimistas olharam para tal coisa – os optimistas esperavam ver o milagre.

Nas escolas e nas catequeses (que são a mesma coisa) ensina-se todos os dias a pequena traição e o grande poder do mestre. A liberdade de ser quem queres, fá-la perante os moinhos, antes que puxem Sancho ao teambuilding e transformem a parelha e o par em sãos consultores da tragédia.

Está um domingo de sol, mas Grade sabe que a minha pátria é o Sábado.

E era o sábado e já passou – antes de dormir.

Um fascista morto desenha faróis. Um.