Para restaurar a sanidade

Para restaurar a sanidade

Um gajo não se lembra de uma, uma coisa que o Rui Rio tenha feito, a não ser uma história de um jaguar – que já não se sabe se o matou ou o comprou ou o vendeu.

O desejo de Santana é fazer tudo outra vez, mas agora bem, uma vez que foi quase tudo o que queria ser mas, como os maus namorados, perdeu a chance.

O Sócrates não tem a noção de auto-piedade e do ridículo e aqueles juízes e magistrados parecem saídos de um romance do Dennis McShade – são os gajos que vêm no Opel Record Olympia a perseguir o meliante mas que o perdem sempre que há uma esquina.

D. Cavaco I, O Inútil, nunca topou nada do BPN nem do BES, um santo de Boliquei-me, o homem que errou como outrora o Sepúlveda, uma perda de tempo que quilhou esta coisa pantanosa ainda mais.

O Orçamento de Estado é negociado como se enganavam os putos nas mercearias: o troco é em rebuçados de mentol e caricas da bola, que saltaram para o chão quando se atendeu o resto da clientela.

Os patafúrdios catalães sabem lá o que querem – não há revolucionários em Barcelona, só peseteros, como um dia chamaram ao homem que adoraram e odiaram. Filipe VI é uma Letízia a mais, viva a música espanhola e as letras e a pintura e a não nos irritem agora.

A Naomi Klein tem um livro novo.

Não há direita, dizem os gajos de direita. Até eles têm vergonha e isso é mau – também começa a não haver esquerda e daqui nada não há tempo, quanto mais dimensões.

O governo dos EUA é um perigo para o mundo. O de Pequim também. O de Paris é uma anedota. O de Londres é irrelevante. O de Ancara está à solta. O de Tel Avive tem um amigo novo. Deve estar-se bem na Horta, nas Flores, no Corvo, em Plasencia.

Não chove e estão 30 graus e é Outubro e nada, mas nada do que está aqui é normal ou bom.

Stop. Façamos stop e recuperemos a sanidade.

A Kim Kardashian padece de dismorfia. Não sei o que é.

 

 

 

Anúncios

Catalunya progressiva

Catalunya progressiva

Aclaremos: um Estado tem povo, território e governo. A Catalunha tem. Uma Nação tem um povo com valores culturais, sociais, éticos comuns. Desenvolvem-no no tal território sob regras comummente acordadas e asseguram a defesa, a paz e o modo de vida comum. A Catalunha tem quase tudo. Há muitas nações sem território e sem uma soberania territorial constituída. É o caso catalão.

Pouco importa discutir se, desde a idade Média, alguma vez a Catalunha foi, de facto, independente. Menos importa ainda a coincidência dos nacionalistas culparem Filipe V e sejam agora reinados por Filipe VI. Ou se houve um referendo ou uma pipoca política no calor das ruas.

A Catalunha é uma região Europeia bem estabelecida, como a Galiza, Portugal, a Flandres ou as ilhas francesa e italiana entre Barcelona e Génova.

Os catalães têm todo o direito a querer ser independentes. Porém, num continente europeu dilacerado pelos egoísmos nacionais, mais um país independente teria apenas braços fechados e facturas a recebê-lo. Na União Europeia paga-se para entrar, para estar e para sair. É o acordo, quem não quer não está.

A declaração de uma independência “progressiva” da Catalunha leva o caminho do Estado Federal de Espanha. Contentará metade da metade que quis ser independente. Mas a outra metade da metade, a republicana, não ficará satisfeita.

A monarquia espanhola, aliada a um Governo decadente e rodeado de escândalos e de ineficácia, fez o que as monarquias mal amanhadas fazem: ameaçou os súbditos com mais força e mais surdez.

Rajoy, um erro na História de Espanha, tenta por tudo não parecer um verdugo – ele conhece bem a luta galega e o seu patrão espiritual, D. Fraga, bem lhe explicou o que pode fazer um povo ferido. Foi naqueles tempos em que Mariano nasceu que o galego deixou de ser ensinado na escola e os de Madrid inventaram uma língua mista e inenarrável – que já quase ninguém usa.

A Catalunha, entregue hoje a radicais nacionalistas como o Puigdemont [puitchdemôn], a radicais de encomenda, como os que este domingo encheram Barcelona, a radicais imperialistas do capital, como os das sedes dos bancos e seguradoras, merecia mais e melhor.

Não cabe a nenhum de nós determinar o destino de um povo. Por isso, apesar da simpatia por todos os republicanos espanhóis, isso não me basta para estar feliz com a trapalhada absurda criada pela ideia de iluminação absoluta de Madrid (a que se chama fascismo, etimologicamente) e o cada vez mais actor de farsa que é o Putchdemon [puitchdemôn].

A haver mediador, sugiro a Igreja Católica Apostólica Romana, mas com um emissário republicano e que fale apenas outras línguas. Um superior hierárquico do ponto de vista espiritual, um italiano. Ou mesmo um cristão copta. Ou, claro, aquele amigo de António Costa que é especialista em negociações.

Tudo menos a UE. Tudo menos a ONU. Todos menos os bancos, os radicais e os nacionalistas, os do PP ou os monárquicos falidos. Tudo menos os austríacos, povo pouco que tanto mal deu ao mundo, sem querer.

 

Vai, Arménio, ataca!

Vai, Arménio, ataca!

O PCP tem de reagir, sob pena de se tornar menos relevante do que dele se necessita. A pior reacção é tentar, através da CGTP, lançar a luta na rua, para incomodar o Governo. A isso Costa chamará um figo e, qual diva operática, deita-se abaixo para garantir uma maioria. O tempo é propício: o PPD em cacos e a rua falsamente contra ele dá ao PS o balão de oxigénio que não tem.

Temo que Jerónimo e as pessoas que pensam no PCP não tenham força para travar o bruáa que se vai instalar. Temo que Costa explore tal fraqueza.

Entretanto: os independentes são saudáveis. Mas convinha que tivessem lá dentro mais do que um caderno de encargos. Ver Valente de Oliveira ao lado de Rui Moreira, este agradecendo ao CDS e mandando abraços a Manuel Pizarro é como comer uma Feijoada de Pizza.

Cristas, que só se ri, apenas apressou a sua ida para o canto, acordando o PSD. Passos está-se marimbando para Rui Rio e Paulo Rangel. Estes terão de negociar apoios com o acossado Marco António Costa, com Relevante Relvas, com António Preto, com o tal Ismael. Em suma, o caminho da rectidão no PSD passa por cedências a caciques e homenzinhos do aparelho. Por isso Passos tem interesse em apressar as eleições para líder do PSD – dar pouco tempo às negociatas. Segurar os votos que tem. Obliterar Manuelas e Pachecos, Marcelos e cata-Mendes.

O Bloco, apesar de Robles, é irrelevante e cada vez mais uma diversão sem  fundo prático. A falta de irreverência, que a tinham Louçã, Drago, Joaninha da Carris e, a outro nível, Rosas e Semedo, fina-se na simpatia normalizada de Catarina. No Porto João nada e, no resto, coisa nenhuma. Se Robles for a correr para os braços do PS de Medina, suicida-se. Se não for, fica como culpado do desgoverno e o PPD aproveitará. Medina não prefere Leal Coelho, para dar sinais nacionais da sua grande amplitude. Não será assim, mas será assim,

Em suma, isto correu mal.

Para Costa, que cede a maioria em Lisboa e perde a influência no Porto. Para Cristas, que tem agora de se divorciar do PP-Portas e carregar o CDS para o lugar onde Adriano Moreira, Lucas Pires e Manuel Monteiro o viram sempre – os votos vieram do centro, em Lisboa, como sempre vieram para o CDS e Soares, Basílio e Freitas sempre o souberam.

Para Jerónimo, idem, a braços com o justificado incómodo da eleição incrível almadense. Para Catarina, que não se afirma nem numa Junta num sítio qualquer. Para o PSD, por causa do seu ADN de poder, com uma leve ameaça de sina semelhante aos partidos socialistas e sociais-democratas do resto da Europa.

Ri-se Isaltino, bem. Perfeito do ponto de vista legal (acusado, condenado, cumpriu castigo, recuperou direitos, granjeou simpatias e votos), demonstra que o sistema prisional recupera ética e moralmente as pessoas e que os licenciados de Oeiras acreditam num mundo novo, onde as pessoas não se medem aos escândalos e a democracia é mesmo democracia.

 

O perigo das eleições nos aborrecerem

O perigo das eleições nos aborrecerem

Sejamos justos: tirando alguns militantes entusiasmados, os cidadãos passaram ao lado da campanha para as autárquicas. Medina ganhará Lisboa porque é um dos dois que está empenhado em ser presidente da Câmara. O outro, João Ferreira (CDU), sabe o que diz mas sofre do pé-cá-pé-lá. Os restantes, cheios de simpatia, não fizeram mais do que um Moreirense: cumpriram calendário.

A gente precisa de quem queira mesmo namorar connosco. Esse é o trunfo de Medina, como o é o de Isaltino, que ganhará, sem surpresa, tal como Basílio. A soberba de Moreira vai custar-lhe a maioria e fará com que se arrependa da zanga com o PS. Seara logo saberá se conseguiu, Ventura terá mais votos do que as sondagens dizem porque há sempre muito idiota que não reconhece o perigo. And so on.

Mas o maior perigo é ter a noção de que passaríamos bem sem eleições – sentimento que anda no ar. A culpa é dos partidos que não quiseram combate nem apresentam nada de novo.

Leio 30 (trinta) panfletos dos principais partidos para cinco (5) freguesias – de Lisboa a outras terras, em várias freguesias, rurais e urbanas. São todos iguais. Todos.

Tirando a louca da Joana e uns maduros espontâneos, o que se compreende é que os problemas das freguesias lidas estão identificados e todos os candidatos se propõem a resolver esses dramas. Raramente há uma proposta que fale de algo novo e surpreendente.

Os temas são maçadores: nas cidades, a mobilidade. Nas aldeias, o emprego. E pronto.

Não há propostas sobre crianças, sobre criação de redes sociais reais, sobre planeamento urbanístico, sobre demolições de mamarrachos ou humanização dos lugares.

Os candidatos a Juntas e Câmaras estão manietados pelo real: sabem que não depende deles resolver os problemas de fundo. Por isso prometem varrer mais as ruas, dar melhores almoços nas cantinas.

Chegam até, todos, a prometer criar ou reforçar serviços que compete aos serviços nacionais: um posto médico aqui, um centro de formação acolá, uma bolsa com dinheiro para os mais pobres. Duplicam serviços com a clara noção que os do Estado, por burocracia ou exiguidade, não cumprem.

Compreende-se o drama: as Juntas e as Câmaras não mandam. Cumprem a lei, afogam-se em procedimentos legais e apagam as chamas deixadas pelos Serviços Nacionais. São menos regedoras e mais Lojas do Cidadão.

A somar a isto, como diz e bem António Saleiro no livro “Mito do Poder Local”, alguns presidentes de autarquias aproveitam-se do caos legislativo e tornam-se tiranetes. Outros, bem formados, dão tudo o que têm pelas suas terras, apenas para se verem entalados nos jogos partidários no último ano de mandato – quando as concelhias e distritais acordam para o “poder”.

As eleições autárquicas são fundamentais. Por isso precisamos de saber que quem concorre para reger a terra, o bairro, gosta mesmo do lugar onde se propõe ser servidor. Mas enquanto todos tiverem as mesmas ideias, o mesmo modo de propor soluções e, acima de tudo, as mesmas soluções, o povo adormecerá.

E isso é muito mau para a democracia.

Opereta política mal amanhada

Opereta política mal amanhada

Marcelo mergulha, Arménio exige, Catarina seduz, Joana esparvoa, Costa dissipa, Cristas demarca-se, Passos enquista-se, Jerónimo rediz, Arnaldo enlouquece, Carmelinda numa Chueca esconde-se de cansada, Pinto Coelho insiste-se, os assassinos do costume planeiam os melhores cartazes, a música é de bombo e sanfona.

Ainda hoje uma arruada, que é o nome que se dá a pessoas desunidas e juntas a descer a rua, fazia algazarra e banzé, gritando sob o adejar de um punho semi-morto, depois de passar a foice romba, a seta murcha, o centro relativo, o homem em pontas e bola de cabeça.

No correio todos prometem o mesmo – porque sabem que o mesmo é preciso. Nenhum me afiança criar um porto espacial no meio da freguesia para viajar a Marte. Nenhum se dá ao luxo do humor, da criação de um parque de caça para ideias loucas, de uma revolta sobre os contos fantásticos ou a dissecação de Poe e Natália ao som do morangueiro.

Ambos os sete são certos e sérios. Nenhum se arrisca. Estão impedidos pela regra de serem carteiros de Neruda ou exploradores de Alfa Centauro. Nenhum se distingue pela jardinagem nas luas de Saturno, piratas honrados. Nenhum promete “Eu Enganarei”. Nenhum ouviu Sílvio e se tramita no unicórnio azul.

À falta de melhor, “há hortas, avenidas e ruas tortas“. Todos me prometem recolher o lixo à hora certa e mais centros de centros de centros, para idosos e jovens, para precários e seguros, monetários dependentes e dependentes monetários. São baços na variedade, porque nenhum diz o que quer.

Na minha campanha prometia só utopias. Todos se apaixonariam durante o mandato. Todos teriam casos extra e pós-conjugais, os traficantes soçobrariam ao Cesariny, os meliantes cantariam Ronda, haveria no segundo ano um projecto de ateísmo e no quarto uma corrida de colher com ovos e lançamento de necromantes.

A obra do regime seria fugir e a grande aposta na mobilidade uma placa a dizer “saída”.

Mas, não. Todos sérios, como os senhores de gravata e as senhoras que estão convencidas que os saltos altos servem para andar na calçada. Nenhum de nós tem a amabilidade de votar nas Testemunhas de Jeová que, definitivamente, têm as melhores imagens de paraíso para as nossas aldeias. Só caprinos eclesiásticos e relvado a perder de vista, em direcção ao grande cartel da felicidade.

A remoção da felicidade e do sonho das propostas destas coisas eleitorais demonstra bem a modorra e a maçada.

Votarei nos médicos de flores, nos rebobinadores das músicas, no rio Almançor de Grade. Chamem-me à razão depois do meio-dia. Antes, permitam-me, nos, que estejamos como Greta ou de pé do Balcão, ao ouvir o marido da cabeleireira e a agarrar os peitos desnudos de Matilde – que nos abraça forte e de quem temos medo que, um dia, nunca mais queira bailar connosco.

Seria menos coiso, como eles dizem.

Mas tão mais sentido.

Tão mais real e necessário, nestes tempos em que foi-se e não foice.

E Marcelo e nada martelo.

E mais manita que punho.

Razões simples para votar PS no Beato

Razões simples para votar PS no Beato

Em tempo de eleições é fácil que nós, eleitores, decidamos descarregar em cima dos que estão no “poder” ou dos que querem para lá ir, as nossas justificadas queixas.

A democracia é isto mesmo. O voto é uma arma poderosa e todas as opções são legítimas. Até não ir votar, porque o voto não é obrigatório e podemos ser tentados a deixar que o nosso vizinho de baixo ou do lado decida por nós.

No Beato, em 2017, há muitas opções para governar a Junta de Freguesia nos próximos anos. Apenas uma, olhando bem para as pessoas, me deixa confortável.

Entendamo-nos. Nenhum candidato vem fazer mal, quer mal às pessoas. Todos, sem excepção, dariam o seu melhor.

Mas o melhor de Silvino Correia, acredito, é um bocadinho mais e um pedaço melhor para todos nós.

Silvino não chega. Já cá está. Não vai aprender como funciona a Junta, já o sabe. Não precisa de se apresentar a ninguém – já o conhecemos.

Poupa-se imenso tempo com isto. Tempo que fica para trabalhar.

Silvino Correia nasceu aqui, cresceu aqui, casou aqui, trabalhou também aqui. Isto é outra vantagem.

Não anda à procura das ruas. Se lhe disserem um nome de um morador, ele pergunta: “Aquela senhora da rua tal?” ou “Aquele moço do 4º esquerdo?”.

São mais dois anos poupados, de vantagem.

Depois, a equipa da Junta não mexe – não haverá tentação de contratar assessores novos só porque andamos a mudar de partido ou de conhecimentos. Não há mal, nisto, mas poupa tempo saber com quem se conta, em vez de andar a mudar de trabalhadores ou a acrescentar avençados técnicos.

Por fim, o PS escolheu Silvino Correia porque ele é um belo exemplo de vida. Quando nasceu ainda havia barracas na Freguesia. Ele viveu esses tempos. E, durante décadas, calcorreou toda a freguesia conhecendo os mais pobres, os mais ricos, os que se iam safando e, até, aqueles que não conseguiram. O Silvino, e perdoai o artigo antes do nome, é aquilo a que chamamos um homem que agarrou o destino pelos cornos e fez dele aquilo que desejou. Dos tempos de infância resta a memória de um bairro que tinha muito mais de Fernando Namora do que de poética futurista.

Hoje, Silvino candidata-se a uma freguesia que junta mais projectos de futuro e de melhoria para todas as pessoas do que a maioria, em Lisboa.

E só quem tem memória do que era o Beato pode levar a freguesia para longe das coisas más e rumá-lo a um futuro melhor.

Bem sei das críticas: Silvino Correia pode ter um ar apolítico, não anda sempre a sorrir, tem uma fala assertiva, um olhar duro, a tempos.

Mas não somos nós, eleitores, que andamos sempre a dizer que nos fartam as doces falas dos políticos?

Eu, podendo, estando de saúde, irei votar PS para que o Silvino, o Victor e a Lucília, o Bruno e o Luís possam trabalhar para todos nós. Sei-lhes da sinceridade e da luta enorme que já tiveram. Sei como o Hugo Xambre Pereira contou com eles para deixar um trabalho louvável. Sei que não podíamos estar melhor entregues – gente modesta, que sempre evitou exibir-se e prefere antes que o trabalho fale por eles.

Nota pessoal: sou candidato na lista do PS ao Beato. Nos últimos seis anos presidi à mesa da Assembleia de Freguesia, apoiado pelos votos do PS e a abstenção dos restantes partidos. Só tenho a agradecer a experiência, que finda agora. 

A Geringonça será eterna

A Geringonça será eterna

Costa percebeu o que danou os PêÉsses europeus: a negação da esquerda. Numa manobra de circunstância, abraçou Bloco e PCP, onde os gajos da ala esquerda do PS iam votar quando estavam zangados. Com isto, acantonou toda a gente e o suicidiocídio do PSD veio a calhar. Nascido com o derradeiro virado para Selene, Costa navega agora o sonho acordado de ser secretário-geral de três partidos: o dele e os que impedem o PS de desaparecer.

Medina, candidato a Lisboa, sabe que será presidente da Câmara mesmo que perca a maioria: ai dos parceiros da trotinete  que lhe recusem governança. Pode o PCP fazer birra? Pode. Mas haverá Bloco. Ou vice-versa, pouco importa.

Caso o PS de Costa quisesse governar com maioria absoluta já tinha mandado o Governo abaixo, numa crise inventada, e punha-se no poder a solo. Mas Costa é bom, é político, e isso deixaria a ferida aberta à esquerda e à direita.

Já repararam no falecimento de Rui Rio? Obra do amigo Costa.

Já viram Rangel e (espante-se) o chusmarista Ventura a perfilarem-se como pessoas que se ouvem em público? Já toparam o apagamento paulatino de Morais Sarmento, ainda que a fazer de guerrilheiro?

Costa, sábio, tem a estratégia que não falha: é uma menina queque que nunca assume responsabilidade das consequências dos actos dos outros. Ao contrário de Passos, que dava o peito às balas, fosse por Relvas, fosse pelo seu amigo Dias Loureiro, Costa sabe melhor que era mais prudente não ir ver Sócrates a Elvas ou à Alameda.

E, por falar no antigo primeiro-ministro, agora agarrado ao Youtube com crónicas de escárnio, mal aconselhado, tem o toque de Midas, mas ao contrário. Esta segunda-feira veio colocar-se ao lado de Medina. Foge! Coitado de Fernando Medina que, sabemos nós, a única coisa que lhe faltou fazer foi um papel – que nem sequer é obrigatório – e até pagou a mais pela casa.

Mas aqueles segundos socráticos a defendê-lo é uma das piores coisas que lhe pode acontecer – qual Vasco Lourenço e Mário no último dia de campanha de João Soares.

Até aqui, sem querer, Costa tem sorte. No melhor do Príncipe, o potencial sucessor foi ferido pela “besta”.

Há azares.